Roubadinho do blog da Dri, a coisa mais bonita que já li nos últimos tempos. Botar aflição nas pedras é lindo demais. Nem sei o que é mais lindo. Isso ou o Rodin.
Adoecer de nós a Natureza:
- Botar aflição nas pedras
(Como fez Rodin).
Manoel de Barros.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Uma triste constatação
O GPS para o carro eu acabei de comprar. Para a vida amorosa, entretanto, custo a achar.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Eu sempre soube seu telefone de cor. Tantas vezes quis esquecer e, de tanto tentar, eu me lembrava sempre. Até o dia em que quase todos os números foram embora e eu não conseguia dizer, sem parar por algum tempo, o que vinha depois do 5. E neste momento, em vez de deixar todos eles irem: o 5, o 4 e o 7, eu os gravei novamente no celular e na memória. E assim fiz com você, seu cheiro e sorriso. Às vezes, sinto você indo e a puxo de novo. E nesse movimento, me perco e me acho. E me sinto feliz mesmo que seja só sua lembrança. E, de novo, a quero distante, longe de qualquer pensamento ou saudade. Mas não deixo você ir nunca. E desisto de tentar.
Bom, ontem eu fiquei tão impressionada e preocupada com o blecaute (ler comentário da Zanon no post sobre ele) que esqueci de falar do Nelson Freire. E de como ele me levou a lágrimas disfarçadas. E estive pensando o tempo todo, um pensamento insistente, em como a cultura é importante para mim. Sempre foi. Há pouco, comecei a escrever uma coluna em uma revista para adolescentes. O editor me pediu para que eu me apresentasse e eu o fiz usando da história de uma menina que foi muito ajudada pelos livros. No final, revelo que sou eu e convido os leitores a ler. Digo a eles que não porque ler faça a gente ser melhor que os outros ou mais culto ou para parecer mais chique. Mas, essencialmente, porque ler faz a gente compreender melhor o mundo. E, para mim, esse é o verdadeiro e genuíno papel da cultura. Por isso, não perco o Nelson Freire. Não porque de repente seja muito chique mesmo dizer que se gosta dele. Mas sim porque cada nota tocada por ele, toca também minha alma. E eu não sei conceber uma importância da cultura se não for a serviço de um engrandecimento de alma. Não para empinar o nariz depois ou se sentir muito refinado mesmo. Para mim, a cultura, é o contrário disso. Mas acho que o Fernando pode explicar melhor..
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um registro
Eu estou chocada com o blecaute nacional. Chocada.
E preocupada com meus amigos de SP que sei que estão em trânsito nessa hora. Só consegui falar com uma amiga. Espero que o resto do pessoal esteja em segurança.
E preocupada com meus amigos de SP que sei que estão em trânsito nessa hora. Só consegui falar com uma amiga. Espero que o resto do pessoal esteja em segurança.
Eu escrevi esse texto quando fui convidada a participar de uma coletânea em livro sobre os trens de Minas. Não resisti, é claro, e escrevi sobre o amor. Acho uns dos meus textos mais bonitos. É um pouco maior que os posts normais do blog. Mas peço paciência a vocês e, se quiserem, que o leiam até o final. Eu tinha dado para a Dri mas ela me disse para que eu postasse aqui e não no blog dela. A contragosto, obedeço.
A mulher e o trem
Falei quando não havia ninguém além de nós. Mudei o tom da voz para que você me escutasse de novo. E o que nascesse do encontro entre eu e você fosse mais do que o que sempre resta da lembrança. Quando fecho os olhos e penso que vinha por detrás das montanhas, aquelas das Minas onde eu morava e do que nunca vou deixar de ser: aquela da cidade pequena. O barulho do trem que trazia e levava saudade. Trem que em Minas também é cadeira, porta e cortina. Aquilo que o Geraldo da esquina é e muito do feio. Trem em que nos embarcamos e nos perdemos. Quis saber de você, eu lá e em tantas você também. Seus gestos, seu cabelo e a sua mão que, quando pegava na minha de relance, suspirava para não deixar dúvida se direita ou esquerda.
É o que busco sempre, o que me acontecia sem nem ao menos saber como um ponto despercebido, que a vista não alcança. Meu coração, por Deus, meu coração batendo em disparada, e vinha algo do qual eu não tinha controle e me tomava como que inteira, como que mulher. E sentia até mesmo o vento que se deslocava, as árvores que ficavam mais verdes, e vinha macio por detrás de caminhos tortuosos, como os da vida, e fazia barulho como se não importasse com quem quisesse ou não ouvir. Eu, mulher mineira de chapéu que não se usa mais. Ele, o trem. Em sua fotografia, só me resta imaginar. O terno e os botões que não se foram, o olhar que depois vi em seu filho. Quis saber de você, e ele também, enquanto o via, eu naquele trem em que tantas vezes você também. Vínhamos nós dois por caminhos tortuosos como os da vida que me moldou do encontro entre o que sobrou de nós e a lembrança que volta toda vez que a noite é mais escura. Trem que passava por tantas cidades, e pessoas que vinham e voltavam, aquelas das Minas onde eu morava, as da cidade pequena, outras da beira da estrada. Havia quem se alegrasse com o apito que fez ruído no meu coração e silêncio. Primeiro alegria. Depois barulho. Silêncio. Vazio da vida sem você. Aquilo que ficou primeiro em meu ventre e depois correndo pelo quintal. Há quem tenha seus olhos sem nunca ter te visto e apenas imaginar como era. E eu conto que era por ele que ela esperava de saia rodada e blusa com botões azuis, as pernas de pudor. Ela, mulher mineira. Ele, o trem. Vinha macio por detrás da Serra. Conto em uma história de ninar mais do que a mim mesma nos momentos em que penso que fui eu quem tive a saia rodada, a mim pertencem as pernas de pudor. Ela gostava dele, e ele sabia, ela já havia dito. E falo com a voz mansa de quem fala a uma criança palavras duras de quem não se perdoou.
Tantas vezes, naquela mesma estação. Tantas vezes, pensamentos que iam e vinham sobre como é a vida, e ela sempre é de alguma maneira, o mesmo trem que o trouxe e o levou. Me deixou mais do que aquilo que ficou no meu ventre, quem tem seus olhos, aquilo que me perturba por querer saber quem é você. E eu sem poder dizer nada por não saber mais do que ele. E ainda o espero na estação caso queira me encontrar. Foi na estação que virei caso da cidade, a mulher de saia rodada que esperava o trem de várias horas sem tempo e destino certos. Chegaram e partiram vários apitos, alegria e tristeza. E, assim, na cadência do trem que partia e chegava, assim mesmo fui me levando por esse movimento intenso, essa magia, essa falta de você que já me é costume, maneira de viver. E fica o apito como tudo aquilo que eu não posso pegar, mas vem de longe e me golpeia. E eu escuto, escuto todo dia.
A mulher e o trem
Falei quando não havia ninguém além de nós. Mudei o tom da voz para que você me escutasse de novo. E o que nascesse do encontro entre eu e você fosse mais do que o que sempre resta da lembrança. Quando fecho os olhos e penso que vinha por detrás das montanhas, aquelas das Minas onde eu morava e do que nunca vou deixar de ser: aquela da cidade pequena. O barulho do trem que trazia e levava saudade. Trem que em Minas também é cadeira, porta e cortina. Aquilo que o Geraldo da esquina é e muito do feio. Trem em que nos embarcamos e nos perdemos. Quis saber de você, eu lá e em tantas você também. Seus gestos, seu cabelo e a sua mão que, quando pegava na minha de relance, suspirava para não deixar dúvida se direita ou esquerda.
É o que busco sempre, o que me acontecia sem nem ao menos saber como um ponto despercebido, que a vista não alcança. Meu coração, por Deus, meu coração batendo em disparada, e vinha algo do qual eu não tinha controle e me tomava como que inteira, como que mulher. E sentia até mesmo o vento que se deslocava, as árvores que ficavam mais verdes, e vinha macio por detrás de caminhos tortuosos, como os da vida, e fazia barulho como se não importasse com quem quisesse ou não ouvir. Eu, mulher mineira de chapéu que não se usa mais. Ele, o trem. Em sua fotografia, só me resta imaginar. O terno e os botões que não se foram, o olhar que depois vi em seu filho. Quis saber de você, e ele também, enquanto o via, eu naquele trem em que tantas vezes você também. Vínhamos nós dois por caminhos tortuosos como os da vida que me moldou do encontro entre o que sobrou de nós e a lembrança que volta toda vez que a noite é mais escura. Trem que passava por tantas cidades, e pessoas que vinham e voltavam, aquelas das Minas onde eu morava, as da cidade pequena, outras da beira da estrada. Havia quem se alegrasse com o apito que fez ruído no meu coração e silêncio. Primeiro alegria. Depois barulho. Silêncio. Vazio da vida sem você. Aquilo que ficou primeiro em meu ventre e depois correndo pelo quintal. Há quem tenha seus olhos sem nunca ter te visto e apenas imaginar como era. E eu conto que era por ele que ela esperava de saia rodada e blusa com botões azuis, as pernas de pudor. Ela, mulher mineira. Ele, o trem. Vinha macio por detrás da Serra. Conto em uma história de ninar mais do que a mim mesma nos momentos em que penso que fui eu quem tive a saia rodada, a mim pertencem as pernas de pudor. Ela gostava dele, e ele sabia, ela já havia dito. E falo com a voz mansa de quem fala a uma criança palavras duras de quem não se perdoou.
Tantas vezes, naquela mesma estação. Tantas vezes, pensamentos que iam e vinham sobre como é a vida, e ela sempre é de alguma maneira, o mesmo trem que o trouxe e o levou. Me deixou mais do que aquilo que ficou no meu ventre, quem tem seus olhos, aquilo que me perturba por querer saber quem é você. E eu sem poder dizer nada por não saber mais do que ele. E ainda o espero na estação caso queira me encontrar. Foi na estação que virei caso da cidade, a mulher de saia rodada que esperava o trem de várias horas sem tempo e destino certos. Chegaram e partiram vários apitos, alegria e tristeza. E, assim, na cadência do trem que partia e chegava, assim mesmo fui me levando por esse movimento intenso, essa magia, essa falta de você que já me é costume, maneira de viver. E fica o apito como tudo aquilo que eu não posso pegar, mas vem de longe e me golpeia. E eu escuto, escuto todo dia.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O amor
Eu já resolvi tudo. Vou me casar com a americana que conheci no Rio. Vamos morar em Ipanema e caminhar todo dia em volta da Lagoa. Seremos muito felizes e talvez tenhamos filhos. Talvez não.
Dicas da semana:
-Nelson Freire hoje, dia 9, e amanhã, dia 10 no Palácio das Artes. 30 reais a inteira. Baratíssimo quando se trata de quem, na minha opinião, é o maior pianista do Brasil. Ok, colocamos também o César Camargo Mariano e mais uns dois no posto.
-Maria Bethânia, diva absoluta, dias 18 e 19, também no Palácio das Artes. Os preços variam de acordo com o lugar.
Sempre me emociono muitíssimo com os dois, portanto, já garanti meus ingressos. Sugiro que façam o mesmo.
A outra dica é gratuita. Festival de curtas internacionais no mesmo local, do dia 9 ao 16. A programção tá bárbara e tem que chegar um pouco antes para pegar o ingresso que é distribuido na hora.
-Nelson Freire hoje, dia 9, e amanhã, dia 10 no Palácio das Artes. 30 reais a inteira. Baratíssimo quando se trata de quem, na minha opinião, é o maior pianista do Brasil. Ok, colocamos também o César Camargo Mariano e mais uns dois no posto.
-Maria Bethânia, diva absoluta, dias 18 e 19, também no Palácio das Artes. Os preços variam de acordo com o lugar.
Sempre me emociono muitíssimo com os dois, portanto, já garanti meus ingressos. Sugiro que façam o mesmo.
A outra dica é gratuita. Festival de curtas internacionais no mesmo local, do dia 9 ao 16. A programção tá bárbara e tem que chegar um pouco antes para pegar o ingresso que é distribuido na hora.
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